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| Antônio Ernandez Araújo estuda Palinologia Forense| Crédito: Efrém Ribeiro |
Pesquisadores e professores do Campus da Universidade Federal do Piauí (UFPI) de Picos (322 km de Teresina), do Grupo de Estudos das Abelhas do Semiárido, fazem pesquisas inovadoras sobre o comportamento e variedade das abelhas e executam um trabalho de divulgação científica sobre a ecologia e universo dos insetos para crianças e adolescentes.
Ao implantar um Laboratório de Pólen no Campus da Uespi, os pesquisadores estão ampliando suas investigações científicas como o uso do pólen colhido nos locais de crimes para desvendar assassinatos.
A pesquisa está sendo desenvolvida pelo estudante de Biologia da Universidade Federal do Piauí, Antônio Ernandez Araújo, que estuda Palinologia Forense. Antônio Ernandez conta que quando era adolescente assistia na TV muito os episódios da série criminal CIS, e quando foi cursar Biologia, apareceu a oportunidade de trabalhar com a professora Juliana Bendini, coordenadora do Grupo de Estudos das Abelhas do Semiárido (Geaspi), o que reforçou sua intenção de estudar Botânica relacionada à Ciência Forense, em especial, a Palinologia, o estudo dos polens.
“Eu percebi que a Palinologia pode ser usada para desvendar crimes, não como ferramenta principal, mas para fornecer elementos para a investigação criminal”, declarou Antônio Ernandez.
Ele lembra que existem plantas que são exclusivas do semiárido e podem ajudar se nos locais de crimes existem plantas e o pólen encontrado é de uma planta encontrada a quilômetros de distância, e se a pessoa é um suspeito e se encontra pólen no corpo dele, em seus cabelos, dessa forma é possível direcionar as investigações para essa pessoa”, falou Antônio Ernandez, ao explicar que o pólen adere nos cabelos por conta da força eletrostática do cabelo.
“O cabelo é uma importante armadilha do pólen. Mesmo se o criminoso realizasse higiene em suas roupas e em seu cabelo ainda é possível o pólen ficar, o que facilita as investigações de crimes de homicídios e de roubo”, falou Antônio Ernandez.
Pólen, a impressão digital das plantas
A bióloga Jossandra Nascimento disse que o Laboratório de Pólen é de pesquisas multidisciplinares e a maioria das pesquisas é para a análise do grão de pólen. Segundo ela, cada planta tem seu grão de pólen e o pólen é como se fosse a impressão digital da planta.
“Cada planta tem um grão de pólen diferente. A gente tem uma coleção dos grãos de pólen do semiárido, que são microscópicos. A abelha, quando coleta o néctar para fazer o mel, ela se contamina com o pólen e leva para o mel. Identificando os grãos de pólen no mel, a gente consegue saber a origem desse mel, qual foi a planta que ajudou na produçãol”, falou Jossandra Nascimento.
A Palinoteca tem atualmente em torno de 40 espécies de plantas
A coordenadora do Grupo de Estudos das Abelhas do Semiárido, Juliana Berdini, professora da Universidade Federal do Piauí, disse que está sendo montada a Palinoteca de Grãos de Pólen, com o objetivo de tipificar e caracterizar o mel produzido na região.
A Palinoteca tem atualmente em torno de 40 espécies de plantas, que permitem a realização de vários estudos e aplicações, além de saber a preferência das abelhas por determinadas plantas.
Os pesquisadores e alunos do curso de Ciências da Computação, Ana Beatriz Barbosa e Thales José Bezerra, criaram um site para abrigar o acervo do Laboratório de Pólen da Universidade Federal do Piauí com a catalogação de todos os pólens e plantas, além de informações e imagens.
Crianças vivenciam experiência das abelhas
O Grupo de Estudos das Abelhas do Semiárido (Geaspi), da Universidade Federal do Piauí (UFPI), tem um trabalho de divulgação científica importante para conscientizar as crianças e adolescentes sobre as abelhas e a importância de preservá-las e a natureza que garante a sobrevivência dos insetos responsáveis pela preservação das plantas.
A professora de Universidade Federal do Piauí, Juliana Bendini, coordenadora do Grupo de Estudos das Abelhas do Semiárido, disse que as crianças que estudam nas escolas públicas passam por um Caminho Sensorial, feito de plantas da região, quando tocam suas folhas, cheiram as flores, com os olhos vendados. Depois, são levados para mostras de sementes crioulas de plantas tradicionais usadas na agricultura da região.
“O Projeto é o Meliponário Didático: Uma Ferramenta para a Conservação das Abelhas Sem Ferrão do Semiárido Piauiense. Na Universidade Federal do Piauí, nós temos um Meliponário, que é onde se criam e produzem mel as abelhas sem ferrão, as abelhas nativas”, afirmou Juliana Bendini.
No Meliponário existem duas espécies de abelhas sem ferrão, as que ocorrem no Piauí e que são piauienses, mas que também, em outras áreas do Nordeste, a munduri e a jati.
Juliana Bendini falou que o Grupo de Estudos das Abelhas do Semiárido fez a iniciativa para mostrar às crianças que as abelhas são muito sensíveis e estão desaparecendo por causa das mudanças climáticas, por causa da poluição e dos agrotóxicos.
“A ideia é mostrar para as crianças a importância das abelhas. Elas assistem a uma palestra e vão ver de perto. A gente abre a colmeia e elas veem, por dentro, como funciona uma colmeia. Como as abelhas não têm ferrão, as crianças não precisam de macacões e não são ferroadas, não tem nada disso. A gente pode abrir a caixa de mel, sem nenhum perigo, e a gente pode ver como funcionam lá dentro”, afirmou Juliana Bendini.
Antes de conhecerem como as abelhas trabalham, vivem e como funciona uma colmeia, as crianças e adolescentes passam pelo Caminho Sensorial, que é o Projeto Botânica em Cinco Sentidos, coordenado pela professora Maria Carolina, do Departamento de Biologia do Campus de Picos da Universidade Federal do Piauí.
As crianças e adolescentes entram no Caminho Sensorial de olhos vendados e a ideia é que possam sentir o cheiro, a textura das plantas.
As crianças e adolescentes podem experimentar algumas plantas, como o jambu, que deixa dormente a boca depois que suas folhas são mastigadas.
Depois as crianças e adolescentes vão relatar o que sentiram. “Depois que as crianças tiram as vendas, veem a beleza do Caminho Sensorial. É como se elas fossem umas abelhinhas, porque as plantas do Caminho Sensorial servem para as abelhas. Elas estão fazendo o papel das abelhinhas. Elas estão tocando, estão sentindo. Elas estão fazendo o que a abelha faz”, explica Juliana Bendini, professora do curso de Licenciatura em Educação do Campo, da Universidade Federal do Piauí.
Grupo realiza estudo sobre comportamento das abelhas
O Grupo de Estudos de Abelhas do Semiárido da Universidade Federal do Piauí, além desse trabalho de educação ambiental, mantém pesquisas sobre o comportamento e atividade de voo das abelhas sem ferrão para sair qual o raio de ação e voo, a distância e a constância com que elas voam.
Pesquisas investigam a influência da temperatura e da umidade na coleta de pólen pelas abelhas; quais são as plantas que as abelhas visitam mais em áreas urbanas.
“O Piauí tem poucos meliponicultores. O Maranhão, nesse sentido, tem muito mais, o Rio Grande do Norte também. O Piauí está começando. Tem alguns meliponicultores em Piripiri, em São João, mas são poucos”, ensinou Juliana Bendini.
Resultados das pesquisas são mostrados às crianças
As crianças ficam empolgadas quando passam pelo Caminho Sensorial e conhecem as abelhas sem ferrão nas colmeias, principalmente quando as abelhas colocam as cabeças para fora das caixas.
“A partir das pesquisas da professora Juliana Bendini, que percebeu o que está acontecendo atualmente, que é o desaparecimento das abelhas. Picos, conhecida como uma cidade apícola, a gente resolveu montar o projeto sobre as abelhas do semiárido, as abelhas nativas, que até então não eram tão conhecidas na região. A gente leva os resultados das pesquisas para as crianças para que essas informações cheguem ao conhecimento delas”, afirma Mayara Campos Silva, estudante do curso de Educação do Campo da Universidade Federal do Piauí.
“Adorei. Vi as abelhas de perto e andei entre as plantas e aprendi que existe uma planta chamada manjericão, que é muito cheirosa”, falou o estudante Lucas Silva, de dez anos.

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